Fui covarde!

São muitas memórias. 

Nem todas são cálidas, de lembrança confortável e aconchegante. Foi o gosto pelo novo e pelo desconhecido que me trouxe à Barra. E a verve aventureira, na instiga de possibilidades diferentes, me fez querer conhecer todos os caminhos para chegar até aqui.

Asfalto? Sim! Pela praia atravessando a barra do rio Miriri? Sim! Faltava o canavial, seu labirinto de “partidos”, como é chamada cada área plantada individualmente, aparentava, na imagem de satélite, uma lógica de locomoção quase urbana, com “avenidas” e “ruas” secundárias. No terreno, os planos são muito vulneráveis às adversidades.

A desorientação espacial, a escuridão no meio do canavial e o cansaço, nos levavam por intransponíveis corredores de mata. Para onde ir?

Sem referências localizacionais, um celular com o Maps na mão, e sentindo a intransponibilidade dos dados na tela para a escuridão ao nosso redor.

Ativado, o medo puxou seu gatilho mais presente: a violência urbana. O motor da moto ecoou longe, suficiente para o corpo desencadear as ações necessárias e responder a sensação de perigo iminente. 

“Pedala Allan!”. Falei enquanto o deixava para trás em sua bike sofrida, incapaz de responder de forma satisfatória a empreitada que nos propusemos naquele dia!

Eu não sei se o sentimento instalou-se imediatamente, mas ele está aqui até hoje: covardia!

Funciona como um marcador de medo inversamente oposto à ocasião de seu surgimento. Sinto medo de repeti-lo. Principalmente por Luca. Me digo sempre que não vou! Me vem à mente a imagem do meu corpo à frente, em proteção.

Admirador da guerra, ato indissociável da condição humana, venero emocionado a coragem. Mas em ensaios, palavras, opiniões e desejos não há virtudes. É no ineditismo da vida, e somente nele, que se pode ser virtuoso. 

Que não me falte!  

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